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terça-feira, 14 de novembro de 2017

SOU TANTAS

Um muito de mim acredita
Outro tanto descrê.
Metade de mim espera
Outra parte desespera.
Uma parcela de mim sorri
Enquanto um pedaço se regenera.

Sou muitas
E ao mesmo tempo nenhuma...

domingo, 5 de novembro de 2017

SAUDADES...

daquela que um dia sonhou
Imaginou tantas cores no mundo
mesmo quando tudo era cinza

Iludia-se que poderia mudar
que transformaria tudo
apenas com a pureza do seu coração.

Fez arco-íris na alma
Floreou-se de primavera
Mas no fim (chegou ao fim?)
Viu que já era outono
Que o verão havia passado
E as folhas e flores estavam secas.

Parou de esperançar pelos dias coloridos.

(Poema de uma dia que foi cinza)

terça-feira, 23 de maio de 2017

DESERTO

Hoje acordei sufocada
Mas não por falta de ar
Era falta de suspirar.
Aquele suspiro adolescente
Quase infantil
Que faz flutuar
Mesmo com os pés no chão.

Quem disse que temos de perdê-lo?
Quem disse que precisamos nos adultizar
Nos idiotizar sendo sisudos
Levando as coisas tão a sério?

Esqueci como é brincar.
E não falo de sorrisos
Refiro-me aos sonhos pueris,
Aqueles que perdemos
Ou nos tiram sem pedir licença.

Aliás, a vida nunca pede licença
É mal-educada e inconveniente
Foge do nosso roteiro
Nos obriga a improvisar
E quem não sabe disso
Perde o espetáculo,
Não entende os aplausos
E acaba só percebendo o fechar das cortinas.

domingo, 9 de abril de 2017

CANÇÃO DA VIDA

Estão engasgados (ainda)
os versos não ditos
as palavras malditas
os poemas não vividos.

Mesmo iguais
precisam ser escritos
os erros, as faltas, as falhas
até que se remendem
emendem, vire vida.

Além do medo
o que resta é o poema
o silêncio
do que nunca foi dito
do que foi reprimido
sufocado, calado,
tolhido.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

PALAVRAS PRA VOCÊ

Tento fingir que não me importo
Mas quando te vejo tudo muda:
Seu olhar me alegra
Sua voz é música
Seu sorriso ilumina o meu dia!
Sua simples presença me deixa feliz!

Só você ainda não percebeu...

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

RETRAÍDA

Achego-me tão sem bagagens
sem vantagens
com pouca estrada
quase nada calejada.

Achego-me
Sentindo-me menina,
aprendiz,
perdendo-me nos medos
nos receios.

Achego-me
sentindo-me despida,
intimidada,
mas vestida de mim.

Achego-me
sabendo o que quero
desejando-te por completo

achegado.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

ERROS

Se eu soubesse que seria assim
Se eu vislumbrasse que chegaria aqui
Se conseguisse medir os resultados
Eu erraria de novo, erraria mais
Erraria diferente

Quebraria mais a cara
Arriscaria mais o coração
Teria mais rugas, talvez
Mas também lembranças a mais

Estaria sem tantos "se"
Não teria medo do ridículo
Viveria mais de improviso
Sem planos, ou projeções irreais