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sábado, 13 de abril de 2013

HOMEM-ESPINHO

Pra se aproximar, fura.
Pra abraçar, machuca.
Pra beijar, ferroa.
Pra dizer que gosta, fere.
Pra ter por perto, atormenta.
Se defende de um ataque imaginário,
evita lágrimas que não existirão.
Lança espinhos o tempo todo,
causa tristeza e
depois pede desculpas.

(12/04/13)

quarta-feira, 10 de abril de 2013

CRONUS II

O que é o tempo
se não uma convenção?
Incapaz de medir os sentidos.
Regra não é para sentimentos,
vínculos, aproximações...

segunda-feira, 8 de abril de 2013

HIPOCRISIA

Fingir que não sente
Usar máscaras
Proferir mentiras
É disso que a vida gosta.
Verdade? Não serve!
Sensibilidade? Não quer!
Autenticidade? Não presta!
Não seja você,
Violente sua alma.
Mude sua personalidade,
Talvez assim
Você será considerado normal.
Ah! Minta também!
Finja que não gosta,
Que não sente,
Cale as palavras
E com elas as emoções também.
O tempo? Preste atenção!
Se for curto, não deve sentir nada.
Dissimular é a regra!

(08/04/13)

SENTIDOS

Sinto a força do seu abraço
O cheiro da sua pele
O toque das suas mãos
A textura dos seus lábios
O gosto do seu beijo
O calor do seu corpo
Tensionado ao meu.
Sinto você!

(08/04/13)

PALAVRADA

Prolixamente
Eis-me aqui
Estragando as coisas.
Falo demais, calo de menos.
Sonho alto, ajo e lamento.
Anseio tudo, jogo pouco.
Intenciono muito, atinjo o todo?

(08/04/13)

AFONIA

Não estou para as palavras
tenho engolido-as
na esperança
que ao degluti-las
eu entenda o que se passa.

(04/04/13)

PASSAGEM

Ouvi uma voz chamando...
Fui atender.
Surpresa fiquei.
Era ela pedindo para entrar,
Mas já não estava cá?
Qual não foi a decepção
Ela continuou pedindo.
Eu, com as chaves na mão,
Não consegui abrir a porta.
Não sabia a chave certa!
Ela esperaria eu abrir?
Minhas mãos atadas
Pelas teias da dúvida,
Pelas cordas do medo
E pelos fios das decepções,
Não se moveram do lugar.
E ela continuou pedindo:
– Deixa-me entrar?
E eu, aflita, respondi:
– Espera, vida, eu deixo você entrar,
Só não sei qual chave usar...

25/03/13