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domingo, 18 de novembro de 2018

TRANSCONTEXTUALIZAÇÃO

Sinto-me tardia
Não realizada em mim.
Atravessada pela vida,
mas não sentida por ela.

                       (02/10/2018)

NEWTON NAVARRO

Antigo rio
Ponte velha
Velhos caminhos
Antigo rio
Ponte nova
Novos caminhos?
Nova geração
Mesma visão?

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

EXISTÊNCIA

Os carros correm na ponte
O sangue circula nas veias
O fluxo sai da mulher
O gozo flui do rapaz
A lágrima cai da criança
Um olhar cruza o meu
Na contínua corrida da vida.

                     (11/10/18)




sábado, 29 de setembro de 2018

MATA

As vozes que calam
gritam verdades surdas.
O autoboicote se inicia
ou é a sensatez falando?
O abismo está sem ponte
A fonte parece que secou...

domingo, 23 de setembro de 2018

LASCIVA

Quero beber tua saliva
Morder teus lábios
Sorver teu suor
Embriagar-me com teu néctar
Mergulhar-te nos meus mistérios
Subir as montanhas dos desejos
Ver a fornalha do Sol nascer
Ardendo-me em você!


quinta-feira, 13 de setembro de 2018

RECUSA

Vivo à sombra de sua lembrança
como ecos esperando uma palavra.
A mínima faísca de sua presença
me indispõe a alma,
Como uma ideia impertinente
me perturba a paz.
Estorvo do meu passado
Tenta bloquear meu presente.
Não o quero há muito!
Não sinto saudades!
Tento desdenhar cada memória,
mas faz parte de mim
Como cicatriz
Faz parte da minha história...

sábado, 25 de agosto de 2018

FUTURO NEGRO

     Joaquim já estava desfalecendo, perdendo o pouco de força que lhe restava, quando veio a sua mente as muitas palavras de sua mãe:
     - Você é meu orgulho! Orgulho de toda a família e já é um exemplo para as próximas gerações...
      Foi interrompido por um tapa na cara que o trouxe à realidade:
      - Fala onde tá o bagulho! Tu qué morrê?!
      - Eu num sei, já disse... Eu não sou quem vocês pensam...
     - CALA A BOCA, MERMÃO!!! Ou fala o papo reto ou vai descer pra vala! Tu escolhe!!!
      Ainda sem compreender bem o que acontecia, entendia que não sairia dali vivo.
    Não chorava mais, suas lágrimas de dor misturadas com o sangue de seu rosto viraram torpor. Começava a entrar em estado de "dormência" em que não sentia mais dor, medo, angústia ou desespero. Antes de desmaiar ainda pôde ouvir a confusão:
     - Falei pra tu que era o cara errado, otário!
     - Mas eu segui as indicação do Zinho!
     - Tu pegô o primo do cara, mermão!
     - E agora? Ele tá morto?! Tá morto?! MORTO?!
    - Sei não, vamo deixá ele na rua de baixo e vê se tem sorte... Bora! Bora! Bora! - Nesse momento Joaquim apagou.
     Logo acordou com os gritos de sua mãe e, sem conseguir abrir os olhos, via as pessoas ao seu redor como em flashes de luzes de uma boate. Ora via sua mãe, ora um rosto desconhecido, ora um olhar curioso. Sentia dor novamente e agora com uma intensidade ainda não experimentada antes. Todas as partes de seu corpo pulsavam em um único compasso de dor.
     Os gritos de sua mãe entrecortavam seu estado de dor:
     - Quem fez isso com você?! Reaja, Quinho! Meu Deus...!!!!!
    Cada toque de sua mãe em seu corpo era como socos e facadas desferidos. Sentiu frio. As vozes foram se distanciando e ele não sentia mais dor. Milagrosamente se sentiu como se estivesse em sua cama, aninhado pela sua mãe amorosa, com os lençóis cheirando a roupa "quarada".
     No outro dia os jornais estampavam em suas manchetes:
     "JOVEM DESAPARECIDO HÁ DOIS DIAS MORRE APÓS ESPANCAMENTO"
     "JOVEM CONFUNDIDO COM MEMBRO DE FACÇÃO É MORTO POR 'RIVAIS'"
     A população se comoveu e marcou uma "Marcha pela paz" na rua principal.
     A mão de Joaquim se negou a ir...

(Atividade sobre conto social realizada com uma turma de redação - alunos de 1º e 2º ano - em 08/03/2018)